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Bagagem Como as pessoas são interessantes! Todas, sem exceção, se você olhar com um pouco mais de atenção, vão te impressionar. Pensar na origem dos atos de uma pessoa é um bom exercício para você começar a entende-la. Tudo que fazemos tem seu por quê em tudo que já vivemos e experimentamos, e por mais que a gente tente aprender com o erro dos outros. Nós crescemos com o peso de não cometer os mesmos erros de nossos pais, que tentam ao máximo nos guiar pelos caminhos contrários ao que eles seguiram e se deram mal. Mas você já deve ter escutado que “Um homem nunca passa pelo mesmo rio duas vezes”, ou algo parecido, porque o rio muda constantemente assim como o homem. Ora, será que o que foi errado pro seu pai, é errado pra você também? Logicamente, é sensato ouvir conselhos de quem já viveu mais do que você nesse mundo estranho, mas eu questiono a sensatez de usar isso, e somente isso, na concepção de suas escolhas, visto que você é um ser pensante. Esses conceitos de “certo” e “errado”, e “vá por aqui, e não por ali” são ditados não somente pelos nossos pais, mas também pela sociedade em geral. É a questão da moral humana. As diferenças morais, creio eu, são devidas à cultura e histórico de cada pessoa, assim como acontece com países. Se você sair do Brasil, por exemplo, e for morar na Inglaterra, vai ser notório o choque de cultura que você vai sofrer, até você se habituar. Mas o que eu quero destacar é o modo como temos pequenos choques de cultura entre nós, na rede de pessoas de nosso convívio, e o modo como remediamos – ou não – isso. Você já deve ter se deparado com algum amigo ou parente fazendo algo que na concepção dele era perfeitamente aceitável, ao passo que para você não tinha cabimento algum. Vale a pena interferir em idéias já sólidas, de uma pessoa que já tem todo seu discernimento baseado em qualquer crença, experiência ou conselho que seja? E lembre-se que, para isso, você teria que ter certeza de que a sua solução para acabar com um contra-senso de outrem é a solução correta. Porque obviamente não se pode dizer a alguém que ele está errado sendo que nem você sabe se, na pele dele, agiria de modo minimamente diferente. É muito delicado destruir uma idéia já estabelecida, de uma pessoa que sente que tem todo o mérito por ela. Algumas pessoas sentem orgulho, por exemplo, em contar como se vingaram e como o plano deu certo. A vingança, para alguns, é uma forma de libertação, é o extravasar de uma mágoa, e na cabeça desse tipo de pessoa isso é totalmente lógico e aceitável, a ponto de acharem estranho como existem pessoas que não se vingam. Para outros, a vingança não vale a pena, porque não apaga o que passou, e com o tempo aquela mágoa vai desaparecendo, dando lugar a coisas boas. Esses dois tipos de pessoa estão simplesmente querendo se sentir bem, mas cada um à sua maneira que, reafirmo, é o resultado de suas idéias e princípios gerados pela vida. Olhe com mais carinho para as pessoas à sua volta. Por mais que a gente tente, é muito difícil convencer alguém de que ele está agindo errado, porque as pessoas se ofendem com esse tipo de coisa. Mas a mesma capacidade de aprender por meio de exemplos que você tem, também tem o seu próximo. Quer ajudar alguém? Não fale, mostre.
Escrito por Deia às 11h35
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Palavras ao Vento Ainda ontem, meu pai e eu estávamos conversando sobre o futuro da comunicação universal. Ele me disse uma coisa que eu concordo. Ele disse que é só uma questão de tempo até que o mundo inteiro fale uma só língua. Até concordo, mas, será que dispomos desse tempo? Com todo esse desequilíbrio ecológico? Com toda a ambição do homem?... Não sei. Bom, mas não é sobre o aquecimento global que quero falar hoje.
Hoje eu quero falar sobre palavras, assunto que eu adoro, por sinal. Poucas coisas me dão tanto prazer como saber a origem de palavras. Adoro esse assunto. É por isso que gosto tanto dos textos de um cara muito simpático que se chama Max Gehringer. Ele dá palestras sobre vida corporativa e é consultor de empresas, se não me engano. Em todos os textos dele, ele começa com a explicação da origem de alguma palavra. A última que eu li foi sobre "arrogância". Arrogância vem do latim rogare (pedir), com o prefixo ar (para si). Ou seja, uma pessoa arrogante é aquela que quer toda a atenção voltada para ela, quer que tudo seja feito para ela... Verdadeiros egocêntricos, esses arrogantes! E o interessante é que as palavras, com o passar dos anos, perdem seu significado original. Hoje quando chamamos alguém de arrogante, não queremos dizer que essa pessoa é só um mimado, carente de atenção. Não. Arrogante hoje é aquele grosso, seco, frio. Vai ver de tanto negarem atenção aos arrogantes, eles ficaram insuportáveis assim...
Não sei quanto a vocês, mas eu acho isso interessantíssimo! Também num texto dele eu li que o prefixo per significa completo. Ou seja, perfeito: feito por completo.
Continuando com o assunto de significados de palavras, tenho um bom exemplo para dar a vocês. Hoje, é assim: Falante é quem fala; Andante é quem anda; Ouvinte é quem ouve; Tratante é quem não cumpre.
Lá em cima eu falei sobre um possível idioma universal, que só não é tão possível assim por causa dos problemas entre a relação Homem X Natureza. Mas, se tivermos tempo, eu creio que isso aconteça, sim. Hoje vemos que, a nossa língua principalmente, é um misto de tantas outras línguas. Há quem goste. Caetano Veloso gosta de sentir sua língua roçar à língua de Luis de Camões. Hoje, nossa língua anda roçando em tantas línguas, que se olharmos pelo lado pejorativo, fica até erótico.
Escrito por Deia às 20h44
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Quem disse? Ouvi dizer, desdizer. Mentir, desmentir Voluntária, quando entendido Distração, se involuntariamente Eu falo com certeza Com a certeza de que vou voltar atrás E quando falo sem certeza, sem preocupação O faço no laço e no traço Apago, escrevo por cima A folha eu amasso Falo que não falei, para não falar que faço No ato sem tato, o contato Entre uma colocação e outra E falo com certeza É falha a minha clareza Logo escurece Na prece se esquece que aquece Aquele um ou aquele outro Que ferve a cuca para não ser Precipitado, revezando, rezando a vez do anulado A negação nossa de cada dia Se encontra entre as brechas De uma contradição e outra O orgulho de não assumir no ato Um rato no prato Que o seu dizer te contradiz Que o teu dizer se contradiz Se encontra quando diz Chamariz, flor-de-lis, do palhaço o nariz
Escrito por Deia às 20h42
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Você mesmo Meu último namoro terminou de uma maneira, digamos, especial. Não que tenha sido bonito e ausente de sofrimento, mas o fato é que nos outros namoros que tive, eu era a vilã da história. Não que eu fizesse coisas erradas pra destruir o relacionamento, mas era eu que terminava, sempre. Sempre chegava um dia que eu cansava de esperar o sentimento chegar, e por uma questão de respeito a mim mesma eu terminava. Ligava muito pouco, confesso, para o que o meu até então namorado sentiria. Porque, de uma forma ou de outra, minha decisão já estaria tomada, e o nível de sofrimento dele não me faria mudar de idéia porque eu sei que, se continuasse com o namoro, o meu nível de sofrimento é que iria aumentar. Sempre me coloquei em primeiro lugar, nos meus relacionamentos. Mas notem que até aqui eu é que comandava as coisas, eu é que decidia se ia ou não continuar a relação, e eu bem lembro que eu é que decidia que lugares íamos freqüentar e até selecionava as pessoas com quem meu “amado” podia falar. Era eu no poder máximo da relação, ou seja, eu não tinha me apaixonado por nenhum deles. Dizem que o mundo dá voltas e que numa dessas voltas você pode acabar sofrendo o mesmo que fez alguém sofrer um dia. Nunca acreditei, até que a vida me provou. Voltando a falar do meu último namoro, eu não tinha o controle de absolutamente nada. Meu último namorado é um cara bacana, não me proibia de fazer nada, mas se ele quisesse, eu limparia as solas dos sapatos dele a cada passo que ele desse. E o faria com uma alegria que é inenarrável. Estava completamente cega de amor por ele, e tudo que fazíamos juntos era lindo, por mais comum que fosse. Abrir a porta da sala para vê-lo entrar era o máximo; rodar aquela maçaneta era o ponto alto do meu dia. E eu me deparava ali com o amor da minha vida na minha frente, e sem saber muito bem o que fazer, eu corria pra abraçá-lo e beijá-lo como se não nos víssemos há séculos. E todos os dias, aquele era o melhor abraço do mundo, e o beijo mais esperado. Por mais que meu dia fosse ruim e por mais que eu estivesse com a pior das TPMs, quando eu olhava pra ele tudo de ruim sumia de perto. Era olhar pra ele e certamente eu tinha vontade de sorrir, e me vinha à cabeça como minha vida era boa! Aí ele terminou comigo. Saí do transe agora pouco, mais de dois meses depois. E hoje eu consigo enxergar com os olhos da razão tudo que se passou nesse meu último namoro e consigo, principalmente, ver que eu me apaixonei por uma invenção da minha cabeça. O meu ex não é metade do que eu fiz dele. Ele tem sim todas as qualidades que eu sempre reconheci nele e continuo admirando, mas ele é muito mais humano do que eu estava disposta a enxergar. E reconhecer isso me ajudou muito a entender tudo, e principalmente a entender a ele. Eu entendo agora as duas partes da história. Entendo o lado de quem termina e entendo o lado de quem é pego de surpresa. Entendo e aceito, porque agora eu sei que cada hora estamos num lugar da história e nossas decisões são só o reflexo do que manda nosso coração, que tem um instinto muito forte de nos manter inteiros. Se seu(a) amado(a) te deixou, querida(o), não o(a) culpe. Ele(a) só está fazendo o que é melhor pra ele(a) no momento, e você devia fazer o mesmo. Créditos para meu querido amigo Cláudio, um nego muito do arretado que se apaixona muito, mas principalmente apaixona a muitas. Ele resume muito bem o que eu quero dizer, com a frase: “A pessoa por quem a gente se apaixona não existe na vida real.”
Escrito por deiadeiadeia às 20h07
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