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Um exemplo de vida prática Eu seria uma péssima vendedora. Odeio convencer as pessoas. Aliás, tudo que dá muito trabalho, me pré-cansa e me faz desistir e ir ver televisão. E não é por preguiça, salvo algumas situações. E não, eu não to de saco cheio. Eu só não gosto da idéia egoísta de tentar fazer alguém pensar como eu. E eu gosto da idéia egoísta de deixar meus pensamentos sendo exclusivamente meus. Mas eu tenho consciência de que algumas pessoas no mundo – algumas até bem próximas à mim – podem ter um ou outro pensamento parecido ou, de fato, igual ao meu, e isso já é irritante. Mas não tão irritante a ponto de me fazer tentar convencer alguém a pensar de maneira diferente, só pra deixar o pensamento que dividimos (sem a minha ordem) livre para voltar a ser só meu. Além de não ser irritante o bastante, no fundo eu sei que pensamentos, idéias, dilúvios imaginários, ou o que seja, não têm donos. Mas se eu ficar lembrando disso, eu vou começar a achar que é trabalhoso demais ficar pensando e chegar à conclusões, para depois perceber que nada disso é meu. E, como eu já disse, trabalho demais me pré-cansa. Então como eu não posso simplesmente parar de pensar por esse motivo, eu continuo me enganando e me achando o máximo quando eu crio qualquer linha de pensamento caótica, porém coerente. Mas, voltando ao assunto... Como é chato ter que convencer alguém! Nossa, você fica ali, escravo daquela pessoa, sendo capaz de tudo para que ela se renda e enfim diga que você tem razão. Você lida com um nível de incerteza muito alto, porque você pode nadar, nadar (falar, falar) e morrer na praia (xingar em pensamento, ou em voz alta). As coisas que eu penso só servem pra direcionar as minhas próprias atitudes, e eu não vejo como minhas idéias podem ser úteis à alguém que nem sabe como eu cheguei à elas. Isso porque tudo que eu penso, nada mais é do que o resultado desses vinte anos de vida que eu tenho e tudo que eu passei durante esse tempo. Penso do jeito que penso porque vivi as coisas que vivi. E dentro de “viver”, estão inseridas várias coisas, não somente experiências (apesar de contarem mais), mas também os livros que eu li, a escola onde estudei, o ídolo que eu tive, o dinheiro que eu tive que juntar, as viagens que eu fiz sem nem sair do quarto, os amigos que tive e, como não poderia deixar de ser, as pessoas que um dia tentaram me convencer de alguma coisa. E algumas conseguiram. Também não to dizendo que não dá certo, eu só acho que quando alguém adere à algum pensamento de outra pessoa, perdeu a melhor parte da história. Não passou por nada além de uma conversa persuasiva para tornar seu o pensamento do outro. É a morte do autor... Mas eu também peco assim, porque voltando lá no começo, se você for parar pra pensar, cansa bastante e dá muito trabalho toda essa coisa de pensar, viver, experimentar, conversar, ler, errar, aprender e chegar ao parto de uma idéia que, se você pensar mais um pouco, nem pode chamar de tua. Mas você pode chamar de vida. E viver cansa mesmo, mas não temos outra opção. Bom, até temos, mas cara, esse negócio de cortar os pulsos, tomar 100 aspirinas com vodca, beber soda caustica, não sei não, mas acho que me cansa mais. Então temos a opção de viver, que eu não sei se é mais ou menos dramática do que morrer. No meu caso acho que é mais, porque eu sou discípula de Scarlett O´Hara. Sou dramática mesmo, mas só o meu drama é poético. O dos outros me cansa, porque, eu não sei se deu pra perceber, mas eu não me sinto bem com pessoas agindo como eu, pensando como eu ou querendo me vender alguma coisa que eu não quero comprar. E é por isso que eu acho difícil que eu me case. Encontrar um homem que leia esse texto que começa num assunto, termina em outro e tem mais vírgulas do que o cérebro masculino consegue processar, além de períodos longos de frases que os fazem ter que ler tudo de novo porque já se esqueceram do que se trata – como agora. Discutir a relação comigo deve ser pior do que ser uma personagem de algum filme do Tarantino. Aliás, deve ser pior do que ser o Tarantino. Bom, além de não gostar de vender, eu também sou péssima no marketing pessoal, como ficou claro acima. “Apesar de tudo, amanhã é um novo dia.” Scarlett O´Hara
Escrito por Deia às 13h04
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Alan Não sei se é assim com todo mundo, mas eu tenho amigos muito interessantes. Interessantes a ponto de merecerem um texto publicado no meu blog. Graças a Deus eu tenho a honra de ter ótimos amigos, e hoje eu vou falar sobre o talvez mais excêntrico de todos: Alan Morais. Nos conhecemos no colégio, e nem de longe eu imaginaria que fossemos nos tornar grandes amigos como somos hoje. Ele tem livre acesso à minha casa, sabe das coisas que acontecem comigo e está sempre presente. É uma pessoa de coração enorme, gosta de ajudar os outros e está sempre disposto para embarcar comigo em qualquer furada que seja, só pra não me deixar ir sozinha. Não admite me ver pra baixo, e usa de métodos não tradicionais pra me alegrar, e sempre consegue. Eu digo que ele é meu amigo por conta dessa nossa ligação que não tem nem nome, acho que “amigo” é pouco para descreve-lo. Ele faz as coisas mais irritantes que um ser humano pode fazer: - Pede atenção no MSN - Chega sem avisar - Chega sem avisar no domingo, depois do almoço, na hora do meu Sono da Beleza - Chega sem avisar trazendo mais amigos e comida - Ignora o fato de eu ser vegetariana e compra sanduíches de frango - Tenta me obrigar a comer carne - Chega sempre com, pelo menos, quarenta minutos de atraso - Pára em TODOS os espelhos que vê pelo caminho, para arrumar os cabelos - Liga a cobrar - Faz cócegas - Coloca músicas emo no celular e me obriga a escutar - Coloca no Orkut fotos em que eu to bem horrível - Mais teimoso que uma porta - Puxa o “Com quem será?”, nas minhas festas de aniversário Enfim, me enche o saco de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Por que eu sou amiga desse ser? Bom, porque as coisas boas que ele faz, superam as irritantes: - Tem um zelo e um cuidado comigo que é bonito de se ver - Fica feliz me vendo feliz (uma característica rara hoje em dia) - Não é bom com as palavras, mas sabe quando me abraçar e acalmar - Tem sempre um bom ditado popular para falar errado, afinal, “cão que ladra não late” - Ele não tem “olhos malificienicos” em mim - Me faz companhia no msn quando estou sem sono até a hora que preciso for - Chega atrasado, mas sempre chega pra me acompanhar no que seja - Liga a cobrar, pra falar que ta com saudade e ver se estou bem, e perguntar qual é o meu “olograma pra hoje”, mas logo vê que falou errado e se corrige, querendo saber o meu “clorograma pra hoje” - No meio das musicas emo, ele deixa sempre tocar “I´m Yours” pra cantarmos juntos - Tem a senha do meu orkut, pra emergências - Puxa o “Com quem será?” nas festas surpresa que ele mesmo organiza pra mim Conquistou o amor e o carinho de meus pais, especialmente do meu pai, que descobriu que um dos pares de tênis que faltavam em sua sapateira estava nos pés do Alan que, por sua vez e logicamente, nunca pediu emprestado. Eu sou amiga dele porque a gente sai pra dançar, e ele dança como quer. Sabe que dança mal, pois segundo ele, seu corpo “tem muita inércia”, mas ele não liga porque o que vale é a diversão, sempre. Sou amiga dele porque ele tem uma competitividade acima no normal e, não por acaso, chega a ser engraçada. Não pode ver alguém fazendo qualquer coisa, mesmo que ele nem saiba do que se trata, quer fazer melhor. E quase nunca consegue. Mas, segue em frente, esquece e ri. Sempre vai ser um mistério entender como esse indivíduo que é inimigo declarado do ritmo, consegue tocar violão com tanta facilidade, cantar tão mal e beijar tantas mulheres. Mas uma coisa é certa: vou ter muito tempo pra desvendar isso, porque nossa amizade já é para sempre. Um poema do Alan, pra vocês terem noção do que eu to falando: Cínica, (é uma amizade muito sincera) Amiga para brigar, para me zuar a todo o tempo, (ele me dá outra opção?) amiga para se divertir com os amigos Jogando Imagem e ação, Divertindo quando é para divertir, e até nos momentos sem diverção, (resolvi que não comentar sobre o português dele...) levamos nossa vida monótoma sem preocupação! mesmo que seje as vezes é COSMOPILITA, (essa aí pede uma ultra mega super giga tecla SAP) mais não sonega nada! (não mesmo, declaro “isento” no IR todo ano) relembra do passado é bom, das diversões e de seus erros melhor ainda, (rir das desgraças dos outros diverte a ele também) porque sabermos que isso nos fara falta, e nos trará uma lembrança de uma tremenda alegria; Se a amizade nascer para mim e para você, não ha tempo com o tempo dizer o porque sem praque, (Ok, agora deu curto aqui) porque, para mim e para você é igual a mais Um, (hã?) com esse mais um ja somos 4, (mais complexo que a matemática financeira da faculdade) somados com mais 4 da uma JUNÇÃO de amigos que não precisam ter o porque sem praque, (ele cismou com esse “porque sem praque”) sendo que pra ter porque precisa de um ponto de interrogação, (lendo essa poesia eu juntei uns 397 pontos de interrogação) e a minha resposta se define em apenas tamujuntoemisturado sem porque e praque! amoDeia! (É isso que importa, sempre!) P.S.: Eu tenho prova de todas essas pérolas dele.
Escrito por Deia às 15h17
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Alôôô torcida do Flamengo Como só se fala na alegria dos flamenguistas por aqui, resolvi não fugir a regra. Não dá pra negar, a torcida do Flamengo é insuportável de tão confiante e unida. Impressionante mesmo e, inevitavelmente, é bonito de se ver. É bonito ver tanta gente pensando na vitória do seu time. Time esse que não lhes rende nada além de alegria, e ressaca na segunda. Não adianta você dizer a um flamenguista que “esse negócio de futebol é uma besteira, os jogadores ganham milhões e você fica aí, gastando no bar e xingando o juiz.” Não adianta, porque de paixão não se espera lucro. E é isso que move tanta gente, a paixão. Acampar para comprar ingresso, ou pior, pagar R$300 num ingresso. Ensaiar coreografias, gritos e comemorações. Paixão nos faz mesmo perder a razão e fazer loucuras, mas no caso do Flamengo, são milhões de torcedores, todos perdendo a cabeça pelo time, de tão forte que é a tal paixão. Se o Flamengo fosse um homem, não existiria mulher no Brasil pra mais ninguém, todas nos renderíamos a seu charme. A maioria dos flamenguistas, nascem flamenguistas. O sujeito ta na barriga da mãe ainda, e não sabem nem seu nome ao certo, mas já sabem que será mais um torcedor rubro-negro. O flamenguista faz questão dessa hereditariedade. Quando a criança cresce um pouquinho, lá vai o pai leva-la pro Maracanã, em pleno Fla x Flu, e a Globo já da aquele close na carinha pintada de vermelho e preto, e o Galvão já faz um comentário idiota (pleonasmo né), e pronto: ele pode crescer e até trocar de sexo, mas de time, nunca. Uma pessoa que nunca ligou pra futebol, e um dia começa a gostar, vai ser flamenguista. Vai ser sim, porque seu chefe provavelmente é flamenguista, seu melhor amigo provavelmente é flamenguista, sua vizinha boazuda é flamenguista e seu primo bem sucedido e pintoso, é Flamengo. O sujeito se sente até pressionado. Vai ser vascaíno nesse meio pra você ver... Nunca vai ser promovido, vai perder um melhor amigo, a vizinha que já nem o notava faria questão de insultar e o primo-exemplo zuaria o indivíduo pro resto da vida, e ainda pegaria a tal vizinha. Bom, é hoje o grande dia. Estádio lotado, corações disparados, bares lotados, gargantas histéricas, não há quem não esteja curioso para ver o jogo de amanhã. Eu não sou flamenguista, mas amanhã eu torço pra torcida do Flamengo. A torcida do flamengo merece mais o título do que o próprio time.
Escrito por Deia às 00h23
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Suspiro Eu acordei contemplativa demais para conseguir terminar o dia sem escrever. Acho que todo mundo tem esses dias... Dias em que a gente não ta triste com a vida que leva, mas fica mais feliz em saber que poderia ser nem melhor e nem pior, mas diferente. Aí eu passei do estado contemplativo pra um estado insuportavelmente questionador. Não são nem duas da tarde, e eu já pensei em mudar de faculdade, mudar a senha do meu orkut, mudar de cidade, mudar o cabelo, mudar os móveis de lugar e mudar o papel de parede do meu computador... Não mudei nem de roupa, nem a janela eu abri ainda. Aí eu parei pra pensar nas vezes que isso já me ocorreu e eu acabei por perceber uma coisa que eu já devia ter percebido antes e talvez as pessoas a minha volta já tenham notado há muito tempo e nem me falaram, porque eu certamente não concordaria: eu sempre quero mudar. Toda vez que eu chego perto de qualquer satisfação, na área que seja, eu mudo pra algum estágio que me incomode o suficiente pra não me deixar parada. Aí eu descobri (to com síndrome de Eureka hoje) uma coisa que me deixou até feliz: eu não desisto por medo de não dar certo, eu só mudo antes de ver a obra pronta. Ta, você deve estar pensando que eu filosofei a meu favor. Pode até ser, até porque se eu não fizer isso ninguém faz. Mas eu não acordei com vontade de arrumar uma boa desculpa pra minha falta de persistência, eu acordei com vontade de mudar. Esse não é um depoimento de desabafo de uma pessoa que ta desgostosa da vida, de maneira alguma. Talvez eu não goste de algumas matérias da faculdade e talvez eu não goste de ir ao banco todos os dias enfrentar fila pra ganhar algum trocado... Talvez eu não goste de pedalar como uma maluca na academia pra ficar com a consciência tranqüila e talvez eu não goste de sair de casa de manha e voltar tarde da noite. Mas aspectos negativos jamais me tirarão a paz, quem me conhece sabe. Porque por mais que eu odeie estudar Direito Constitucional na faculdade de Administração de Empresas, eu tenho o professor mais engraçado (e sarado) do mundo; por mais que eu pegue chuva pra ir ao banco, eu já sou mais VIP do que qualquer ricão lá no Banco Real, só por sorrir todos os dias pra todos os funcionários. Por mais que eu me mate de tanto pedalar, é ótimo a sensação de acabar uma aula de spinning viva. Por mais que eu acorde cedo demais, eu acordo, e não tem maravilha maior do que essa. Posso chegar em casa tarde demais e ser a única que não viu aquela cena da menina sofrendo acidente na novela do Manoel Carlos, mas eu me sinto ótima sabendo que eu tava num ônibus diferente do dela, que cheguei em casa semi-morta de tanto cansaço, mas com o movimento das minhas próprias pernas.
Escrito por Deia às 14h17
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Aprendo muito na faculdade Tive uma aula, no começo da faculdade, que falava sobre “Conhecimento”. Tínhamos “conhecimento científico”, “conhecimento filosófico”, “conhecimento empírico”. O último, trata-se daquele conhecimento que não se sabe onde começou e sabe lá se terá fim. Por exemplo, fazer arroz. Minha avó ensinou minha mãe a refogar bastante o arroz antes de jogar água, senão não fica “soltinho”. Minha mãe me ensinou no mesmo jeito, e eu vou ensinar pra minha filha do mesmo jeito, eu só torço pra que ela aprenda melhor do que eu. Mas tenho uma tia que diz que, pro arroz ficar soltinho, tem mesmo é que lavar, mas lavar bastante. Ela lava o arroz e lava a alma, tudo junto... Passa um tempão ali lavando o arroz. Eu sei lá qual das duas formas de se fazer arroz está certa. E se você perguntar pra minha mãe ou pra minha tia o porquê disso tudo elas vão simplesmente responder “Por que sim”. Nunca fui muito afundo nessas discussões. Acontece que tem outro conhecimento empírico que ronda a minha família (a ala feminina, diga-se de passagem) há gerações: “Homem é tudo igual”. “Mas, vó, é tudo igual por quê?”... “Porque é, minha filha... porque é, e você ainda vai concordar com isso.” Concordei com ela mais cedo do que eu imaginava. Homens são mesmo todos iguais. Aquele canalha que te largou no ano passado pra ficar com uma piriguete loira de vestido rosa curto (nada contra alunas da Uniban), é exatamente igual ao marido da sua melhor amiga bem resolvida, bem casada, que tem bons filhos e um bom emprego. Sim, aquele que parece ser o marido perfeito, que manda flores (por mais cafona que isso seja), dá caixas de bombom (por mais que isso engorde), leva a esposa pra jantar no restaurante japonês (por mais que ela ainda saia de lá com fome), e outras canalhices camufladas. Isso mesmo, dar flores é a maior canalhice, e reafirmo, a mais cafona. Desde que andamos pra frente, o homem é canalha. O que existe de diferença não está no homem, está na canalhice. Existem vários tipos de canalhices, e seus estágios. Vamos pensar um pouco sobre o canalha que te largou ano passado pela piriguete... Isso mesmo amiga, aquele que no começo do relacionamento te matava de vergonha por mandar flores no seu serviço, te fazia morrer de tanto malhar depois de comer os bombons que ele te dava, que te fazia chegar em casa morta de fome depois de um jantar no japonês e coisas do gênero. Ele tava na fase de pré-compensação, é bem típico dessa espécie: canalha sentimental. Aquele que quer te fazer muito bem durante o relacionamento, pra você ter boas lembranças dele quando ele terminar, e ainda encher a boca pra falar que ele foi um ótimo namorado. Se liga gata, ele só queria seu corpo. E sinta-se feliz e triste: feliz por não estar casada com ele, como a sua melhor amiga. E triste porque sua melhor amiga está casada com um canalha. Só um conselho: não tente avisa-la, não dá certo. Tem aquele canalha pilantra que deixa você pensando que estão namorando, e no final diz na maior cara de pau e com uma naturalidade incrível: “Eu nunca te pedi em namoro”. Tem o canalha político, que vive te prometendo que vai terminar com a mulher pra ficar com você... Se você tem um desses, te aconselho a desistir de acreditar nele e começar a pedir cestas básicas, carteira de motorista, desconto em faculdade, essas coisas que político consegue fácil. Tem o canalha ator, que é aquele namorado da sua prima que vive te dando mole, te ligando, e que te chama de baranga na frente da família toda, dizendo que homem nenhum iria querer te namorar. E se você tentar desmascara-lo, acredite, sua família inteira fica contra você. Ator é ator. Tem o canalha apaixonado, que é o homem da sua vida por, no máximo, seis meses... Depois ele vira o canalha sentimental, e vem a fase da pré-compensação. Não só são todos iguais, como têm um único objetivo: te magoar. É isso mesmo, meninas, é isso que eles querem. Toda ação do homem é calculada minimamente pra que possa te magoar de um jeito ou de outro. Se ele te elogia, ele não quer que você se sinta mais bela, ele quer que você pense que ele tem outra e ta querendo disfarçar. E na maioria das vezes, ele tem outra mesmo, ou outras. Se ele te da um presente, ele não quer te ver feliz por ter uma roupa nova, ele quer que você tente vestir e não consiga, e sinta-se gorda e frustrada, e corra pra academia. Se ele te leva pra jantar, ele não quer que você saia da rotina de ter que cozinhar pra ele, ele quer te comer sem sentir cheiro de bife acebolado no seu cabelo. Tudo, mas tudo que o homem faz é para o bel prazer dele próprio. Sempre foi assim e vai continuar sendo, porque homem não muda. A razão para escolhermos tanto entre seres exatamente iguais? Eu não quero dizer que é pelo tamanho do pênis, então eu vou dizer o seguinte: escolhemos com muito cuidado o homem que vai nos enganar, nos trair, nos fazer chorar, e até fazer algumas pensarem em virar lésbicas, simplesmente porque todo conhecimento empírico tem sua explicação em outro conhecimento empírico talvez mais verdadeiro ainda: “Mulher é tudo burra.” Porem, seletivas.
Escrito por Deia às 22h04
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Como o avião para a humanidade De todas as vezes que eu me vi nesse tipo de situação, sem sombra de dúvidas essa é a pior delas. Não consigo parar de pensar em todos os nossos momentos bons e nas coisas que aprendi contigo, mesmo quando você não queria ensinar. Talvez as coisas tivessem sido diferentes se suas boas características não me atingissem tão negativamente. Eu não sei se o problema é comigo, do mesmo modo que eu também não sei como coisas que são aparentemente “boas” se transformaram em grandes barreiras entre nós. Você é movido a grandes emoções, está sempre com metas para atingir e isso é muito bom na vida a dois, porque eu sei que você é centrado e persistente naquilo que deseja. Sei também que você tem seus objetivos pessoais, que precisam ser cumpridos para você ficar bem. Mas, caso o contrario aconteça, você é tomado por um sentimento doido de incapacidade e precisa provar para si mesmo que é capaz, e essa paixão se torna doentia e ofusca o sentimento que você tem por mim, a ponto de eu começar a pensar em colocar duas rodinhas em mim e mudar meu nome pra Caloi, pra ver se consigo a mesma atenção que você dá à sua bicicleta. E como num passe de mágica, conseguindo atingir ou não o seu grande objetivo, você simplesmente volta ao marasmo de antes e quer que eu continue a mesma, como se essas coisas não me atingissem. Eu adoro o jeito como você eleva minha auto-estima, e você faz isso constantemente. Sem que eu precise perguntar se “esse vestido me deixa gorda”, você se adianta e me lança um olhar admirado como quem pensa “como eu tenho sorte de ter essa mulher” e me diz, com uma voz suave a aveludada, “você está linda”. Isso seria ótimo, se eu não soubesse o quanto você flerta quando eu estou longe e, sabendo disso, todos os seus elogios me parecem mecânicos, fruto de uma mente treinada que não quer que eu troque meu vestido, para que possamos sair rápido de casa e ir para a festa onde, muito provavelmente, vai lançar olhares a alguns vestidos bem recheados como o meu. Você me conta com tanta superficialidade sobre seus problemas cotidianos, como os de trabalho ou mesmo os pessoais. Eu sei que talvez você não queira me aborrecer com problemas que eu não consigo solucionar por você e sei que ficaria difícil me contar algumas coisas intimas que nem você sabe direito por que te incomoda. Mas essa sua tentativa voluntária de me poupar me exclui de uma parte muito importante na sua vida e me faz pensar que você acha que eu não tenho capacidade de escutar ou mesmo aconselhar. Você, na realidade, não está poupando a mim de escutar problemas chatos, mas está poupando a si próprio de escutar minhas opiniões, que você julga serem tolas. Isso prova que você não me conhece nem metade do que deveria, e subestima minha capacidade de, antes de tudo, ser sua amiga. Eu sinto que você quer sempre resolver por mim os meus problemas, compra todas as minhas brigas e me defende como ninguém nunca defendeu antes. E isso é ruim por dois motivos básicos: primeiramente, você não deixa que isso seja recíproco, não me deixa comprar suas brigas, não me deixa nem saber quais são suas brigas; em segundo lugar, porque você não faz isso com o ar de quem defende sua amada por amor, mas sim como quem foi designado a defender uma pobre coitada que não pensa direito e não pode tomar decisões sozinha. E eu sei que eu não sou assim, e você também saberia, se parasse para enxergar tudo que eu tento te mostrar enquanto você tira meus próprios problemas das minhas mãos e os resolve por mim, sem que eu peça. Eu me recuso a acreditar que o problema está somente em mim. Suas qualidades que eu mais admiro, são as que mais me maltratam. Eu sei que você talvez nunca tenha pensado dessa maneira, mas é assim que eu me sinto... Uma vítima de todas as coisas boas que você oferece. E agora, o que me fez cair de amores por você, se transformou num abismo que nos separa. Mas é impossível continuar do seu lado sendo que você me quer atrás. Carta em resposta ao autor do texto anterior, Claudio R., que me rouba, todos os dias, muito mais que palavras.
Escrito por Deia às 12h31
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DESEJOS IMPLÍCITOS
Por Claudio R.
Resolvi pensar sozinho num dos raros momentos em que me deixou assim. E por pensar, resolvi te deixar, abandonar-te aos teus desejos implícitos em que eu não conseguia adentrar. Eu não te quero mais por entender que o seu pessimismo trágico levou essa nossa relação a uma obscuridade que eu não conseguia mais me encontrar dentro dela, tal qual um baiano perdido no Rio de Janeiro e pedindo informação para um gaúcho característico.
Às vezes penso que eu tinha ciúme de ti, por crer que eu não era o único estrangeiro da sua lista, principalmente ao ouvir as suas frases com trejeitos e sotaques de outros estados.
Eu te deixei por te achar inteligente de mais, bem humorada de mais, sarcástica de mais e gorda de menos. Não conseguia competir com alguém tão esperto quanto o google e ainda por cima, alguém que soubesse disso – é o google que não me deixa passar por ignorante, ironizava.
Deixava-me pasmado a idéia de não ter carteira de identidade, mas a paixão encobria isso, logo depois descobria e eu me via atado a ti pela sua despreocupação com isso. No Paulo Leminski era perfeitamente justificável, ele tinha um bigode que não me atraia em nada, já em ti, esse seu belo rosto e o branco lôbrego e libidinoso dos seus olhos sairiam muito lindo em qualquer documento, inclusive a referida carteira.
Achei uma grande maluquice tu comprares um carro e nem ter CNH, mais maluquice você não saber andar de bicicleta. Tudo lindo para o Caetano Veloso, mas pra mim, nem tanto.
Ainda, eu estava na fase mais baixa da sua oscilação de personalidade nos relacionamentos, que consistia em “eu sofri, agora é a minha de fazer sofrer”. Logo eu que sempre fiz sofrer...
De tudo, eu gostava de quando tinha nada, pois seu tudo era muito tudo e o pouco meu não agüentaria, como não agüentou. Não resistiu às palavras sinceras e mentiras doces, não resistiu ser um personagem secundário num filme onde tu tinhas todo a indumentária de protagonista. E quando acordava em meio a um filme antigo, tal qual E o vento levou , eu tinha que me contentar em não ser nada, pois, nestes dias em teus filmes a Scarlet O’Hara vivia sozinha e sofria de TPM.
Cansei de ouvir seus dramas da cadeia alimentar de um réptil herbívoro. Cansei de escrever as tuas dietas, teu guia treinamento, de correr contigo... Cansei de vê os resultados aparecendo e tu ficando mais linda do que nunca. Nem posso lembrar, para não pensar em voltar atrás...
Era odioso aquele seu banho demorado e o chuveiro criativo de teorias conspiratórias e filosóficas, e depois, mais odioso, o hidratante demorado de 15 minutos.
Caso eu não esteja enganado, era assim que tu me querias, avesso às seus desmandos e vontades, agora já tem isso. Não sou mais seu amor, não sou mais seu querido, nem seu personagem preferido de uma comédia romântica – embora achasse isso o mais sincero possível. Resta-te, agora, cobrar pelos teus abraços, pois aqueles dirigidos a mim, não terão mais serventia sem ser devidamente remunerados.
Se quiser, joga fora aquele cordão que te dei para que não te lembres mais de mim como uma coisa boa na sua vida. Jogues fora aquela calça jeans que levei dias escolhendo e ainda assim não acertando no número e no formato; confesso que paquerei todas as vendedoras do shopping, mas isso foi ensejando uma compra perfeita. Ah, não esqueça de jogar fora também aquele conjunto de lingerie que te dei e tu, implicitamente, achaste egoísta de mais. Fica com os meus e os teus livros, todos eles, teu vício como ofício. Fica com teus sonhos de riqueza com a literatura e com teus amantes letrados, os Max, os Arans, os outros.
Como vê, escrevo-te a mão, para que sinta que é de plena consciência o que tenho dito aqui. Vou te deixar por achar-te pessimista e trágica que acredita que um namoro tem que ser como um livro do Santiago Nazarian, ter começo, meio e fim, mesmo que esse começo, esse meio e esse fim sejam implícitos.
Claudio R. é o escritor de O Ladrão de Palavras (http://oladraodepalavras.blig.ig.com.br/)
Escrito por Deia às 12h25
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Bagagem Como as pessoas são interessantes! Todas, sem exceção, se você olhar com um pouco mais de atenção, vão te impressionar. Pensar na origem dos atos de uma pessoa é um bom exercício para você começar a entende-la. Tudo que fazemos tem seu por quê em tudo que já vivemos e experimentamos, e por mais que a gente tente aprender com o erro dos outros. Nós crescemos com o peso de não cometer os mesmos erros de nossos pais, que tentam ao máximo nos guiar pelos caminhos contrários ao que eles seguiram e se deram mal. Mas você já deve ter escutado que “Um homem nunca passa pelo mesmo rio duas vezes”, ou algo parecido, porque o rio muda constantemente assim como o homem. Ora, será que o que foi errado pro seu pai, é errado pra você também? Logicamente, é sensato ouvir conselhos de quem já viveu mais do que você nesse mundo estranho, mas eu questiono a sensatez de usar isso, e somente isso, na concepção de suas escolhas, visto que você é um ser pensante. Esses conceitos de “certo” e “errado”, e “vá por aqui, e não por ali” são ditados não somente pelos nossos pais, mas também pela sociedade em geral. É a questão da moral humana. As diferenças morais, creio eu, são devidas à cultura e histórico de cada pessoa, assim como acontece com países. Se você sair do Brasil, por exemplo, e for morar na Inglaterra, vai ser notório o choque de cultura que você vai sofrer, até você se habituar. Mas o que eu quero destacar é o modo como temos pequenos choques de cultura entre nós, na rede de pessoas de nosso convívio, e o modo como remediamos – ou não – isso. Você já deve ter se deparado com algum amigo ou parente fazendo algo que na concepção dele era perfeitamente aceitável, ao passo que para você não tinha cabimento algum. Vale a pena interferir em idéias já sólidas, de uma pessoa que já tem todo seu discernimento baseado em qualquer crença, experiência ou conselho que seja? E lembre-se que, para isso, você teria que ter certeza de que a sua solução para acabar com um contra-senso de outrem é a solução correta. Porque obviamente não se pode dizer a alguém que ele está errado sendo que nem você sabe se, na pele dele, agiria de modo minimamente diferente. É muito delicado destruir uma idéia já estabelecida, de uma pessoa que sente que tem todo o mérito por ela. Algumas pessoas sentem orgulho, por exemplo, em contar como se vingaram e como o plano deu certo. A vingança, para alguns, é uma forma de libertação, é o extravasar de uma mágoa, e na cabeça desse tipo de pessoa isso é totalmente lógico e aceitável, a ponto de acharem estranho como existem pessoas que não se vingam. Para outros, a vingança não vale a pena, porque não apaga o que passou, e com o tempo aquela mágoa vai desaparecendo, dando lugar a coisas boas. Esses dois tipos de pessoa estão simplesmente querendo se sentir bem, mas cada um à sua maneira que, reafirmo, é o resultado de suas idéias e princípios gerados pela vida. Olhe com mais carinho para as pessoas à sua volta. Por mais que a gente tente, é muito difícil convencer alguém de que ele está agindo errado, porque as pessoas se ofendem com esse tipo de coisa. Mas a mesma capacidade de aprender por meio de exemplos que você tem, também tem o seu próximo. Quer ajudar alguém? Não fale, mostre.
Escrito por Deia às 11h35
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Palavras ao Vento Ainda ontem, meu pai e eu estávamos conversando sobre o futuro da comunicação universal. Ele me disse uma coisa que eu concordo. Ele disse que é só uma questão de tempo até que o mundo inteiro fale uma só língua. Até concordo, mas, será que dispomos desse tempo? Com todo esse desequilíbrio ecológico? Com toda a ambição do homem?... Não sei. Bom, mas não é sobre o aquecimento global que quero falar hoje.
Hoje eu quero falar sobre palavras, assunto que eu adoro, por sinal. Poucas coisas me dão tanto prazer como saber a origem de palavras. Adoro esse assunto. É por isso que gosto tanto dos textos de um cara muito simpático que se chama Max Gehringer. Ele dá palestras sobre vida corporativa e é consultor de empresas, se não me engano. Em todos os textos dele, ele começa com a explicação da origem de alguma palavra. A última que eu li foi sobre "arrogância". Arrogância vem do latim rogare (pedir), com o prefixo ar (para si). Ou seja, uma pessoa arrogante é aquela que quer toda a atenção voltada para ela, quer que tudo seja feito para ela... Verdadeiros egocêntricos, esses arrogantes! E o interessante é que as palavras, com o passar dos anos, perdem seu significado original. Hoje quando chamamos alguém de arrogante, não queremos dizer que essa pessoa é só um mimado, carente de atenção. Não. Arrogante hoje é aquele grosso, seco, frio. Vai ver de tanto negarem atenção aos arrogantes, eles ficaram insuportáveis assim...
Não sei quanto a vocês, mas eu acho isso interessantíssimo! Também num texto dele eu li que o prefixo per significa completo. Ou seja, perfeito: feito por completo.
Continuando com o assunto de significados de palavras, tenho um bom exemplo para dar a vocês. Hoje, é assim: Falante é quem fala; Andante é quem anda; Ouvinte é quem ouve; Tratante é quem não cumpre.
Lá em cima eu falei sobre um possível idioma universal, que só não é tão possível assim por causa dos problemas entre a relação Homem X Natureza. Mas, se tivermos tempo, eu creio que isso aconteça, sim. Hoje vemos que, a nossa língua principalmente, é um misto de tantas outras línguas. Há quem goste. Caetano Veloso gosta de sentir sua língua roçar à língua de Luis de Camões. Hoje, nossa língua anda roçando em tantas línguas, que se olharmos pelo lado pejorativo, fica até erótico.
Escrito por Deia às 20h44
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Quem disse? Ouvi dizer, desdizer. Mentir, desmentir Voluntária, quando entendido Distração, se involuntariamente Eu falo com certeza Com a certeza de que vou voltar atrás E quando falo sem certeza, sem preocupação O faço no laço e no traço Apago, escrevo por cima A folha eu amasso Falo que não falei, para não falar que faço No ato sem tato, o contato Entre uma colocação e outra E falo com certeza É falha a minha clareza Logo escurece Na prece se esquece que aquece Aquele um ou aquele outro Que ferve a cuca para não ser Precipitado, revezando, rezando a vez do anulado A negação nossa de cada dia Se encontra entre as brechas De uma contradição e outra O orgulho de não assumir no ato Um rato no prato Que o seu dizer te contradiz Que o teu dizer se contradiz Se encontra quando diz Chamariz, flor-de-lis, do palhaço o nariz
Escrito por Deia às 20h42
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Você mesmo Meu último namoro terminou de uma maneira, digamos, especial. Não que tenha sido bonito e ausente de sofrimento, mas o fato é que nos outros namoros que tive, eu era a vilã da história. Não que eu fizesse coisas erradas pra destruir o relacionamento, mas era eu que terminava, sempre. Sempre chegava um dia que eu cansava de esperar o sentimento chegar, e por uma questão de respeito a mim mesma eu terminava. Ligava muito pouco, confesso, para o que o meu até então namorado sentiria. Porque, de uma forma ou de outra, minha decisão já estaria tomada, e o nível de sofrimento dele não me faria mudar de idéia porque eu sei que, se continuasse com o namoro, o meu nível de sofrimento é que iria aumentar. Sempre me coloquei em primeiro lugar, nos meus relacionamentos. Mas notem que até aqui eu é que comandava as coisas, eu é que decidia se ia ou não continuar a relação, e eu bem lembro que eu é que decidia que lugares íamos freqüentar e até selecionava as pessoas com quem meu “amado” podia falar. Era eu no poder máximo da relação, ou seja, eu não tinha me apaixonado por nenhum deles. Dizem que o mundo dá voltas e que numa dessas voltas você pode acabar sofrendo o mesmo que fez alguém sofrer um dia. Nunca acreditei, até que a vida me provou. Voltando a falar do meu último namoro, eu não tinha o controle de absolutamente nada. Meu último namorado é um cara bacana, não me proibia de fazer nada, mas se ele quisesse, eu limparia as solas dos sapatos dele a cada passo que ele desse. E o faria com uma alegria que é inenarrável. Estava completamente cega de amor por ele, e tudo que fazíamos juntos era lindo, por mais comum que fosse. Abrir a porta da sala para vê-lo entrar era o máximo; rodar aquela maçaneta era o ponto alto do meu dia. E eu me deparava ali com o amor da minha vida na minha frente, e sem saber muito bem o que fazer, eu corria pra abraçá-lo e beijá-lo como se não nos víssemos há séculos. E todos os dias, aquele era o melhor abraço do mundo, e o beijo mais esperado. Por mais que meu dia fosse ruim e por mais que eu estivesse com a pior das TPMs, quando eu olhava pra ele tudo de ruim sumia de perto. Era olhar pra ele e certamente eu tinha vontade de sorrir, e me vinha à cabeça como minha vida era boa! Aí ele terminou comigo. Saí do transe agora pouco, mais de dois meses depois. E hoje eu consigo enxergar com os olhos da razão tudo que se passou nesse meu último namoro e consigo, principalmente, ver que eu me apaixonei por uma invenção da minha cabeça. O meu ex não é metade do que eu fiz dele. Ele tem sim todas as qualidades que eu sempre reconheci nele e continuo admirando, mas ele é muito mais humano do que eu estava disposta a enxergar. E reconhecer isso me ajudou muito a entender tudo, e principalmente a entender a ele. Eu entendo agora as duas partes da história. Entendo o lado de quem termina e entendo o lado de quem é pego de surpresa. Entendo e aceito, porque agora eu sei que cada hora estamos num lugar da história e nossas decisões são só o reflexo do que manda nosso coração, que tem um instinto muito forte de nos manter inteiros. Se seu(a) amado(a) te deixou, querida(o), não o(a) culpe. Ele(a) só está fazendo o que é melhor pra ele(a) no momento, e você devia fazer o mesmo. Créditos para meu querido amigo Cláudio, um nego muito do arretado que se apaixona muito, mas principalmente apaixona a muitas. Ele resume muito bem o que eu quero dizer, com a frase: “A pessoa por quem a gente se apaixona não existe na vida real.”
Escrito por deiadeiadeia às 20h07
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